O que é Base de Dados?

É curioso como este termo, embora importante se tornou muito banal, perdeu parte do seu significado  profundo. Actualmente, falamos de "banco de dados" quase que de forma automática, mas raramente paramos para pensar no que ele representa de facto. Na prática, o banco de dados é uma das peças fundamentais de qualquer aplicação digital.

Mas antes de tudo, é preciso entender uma diferença essencial: guardar informação não é o mesmo que gerir informação.

Guardar, qualquer um pode, num ficheiro de texto, numa planilha Excel, numa pasta cheia de documentos, etc. Mas gerir, implica a existência de uma estructura, regras, relações, segurança e persistência. É isso que separa um ficheiro de uma verdadeira base de dados.

Uma Breve História

Nos primórdios da computação, na década de 60, os dados eram armazenados de forma caótica, isto é, ficheiros planos (texto), registos isolados, sem ligação entre si. Cada aplicação tinha o seu próprio formato e o seu próprio modo de acesso. Essa fragmentação tornou-se insutentável à medida que as empresas cresciam e precisavam de informação centralizada e confiável.

Foi aí então que surgiram os primeiros Sistemas de Gestão de Bancos de Dados (SGBD),  esses sistemas eram inicialmente hieráquicos e em rede, para piorar ainda eram também bem difíceis de escalar.

Mas a grande revolução veio com o Edgar F. Codd., que nos anos 70 publicou um paper (artigo ciêntífico), apresentando o modelo relacional. A sua ideia era simples e genial, armazenar os dados em tabelas interligadas por relações lógicas, em vez de estruturas fixas.

Assim nascia o conceito moderno de banco de dados relacional, e com ele o SQL (Structured Query Language) a linguagem universal que permitia interagir com os dados.

O conceito de Relação e Estructura

O modelo relacional trouxe uma forma elegante de pensar na informação. Cada tabela representa uma entidade(clientes, produtos, vendas), e cada coluna, um atributo. O verdadeiro poder desse modelo está nas relações, ou seja o modo como uma linha de uma tabela se conceta com a outra. Essa capacidade de representar o mundo real em forma lógica foi o que fez dos bancos de dados o pilar das empresas mordenas.

Entretanto o mundo digital não parou por aí. Com o avanço da web (não confundir com internet), a explosão de dados não estructurados e o crescicemento das redes sociais,surgiram novos desafios, tais como: volume, velocidade e variedade de dados. E o modelo relacional, embora fosse robusto, começou a mostrar limitações e já não dava conta.

Tipos de Base de Dados

Actualmente podemos dividir os bancos de dados em vários tipos, sendo que cada um tem um propósito especifico:

1. Base de Dados Relacionais (SQL)

São os mais tradicionais, MySQL, PostgreSQL, SQL Server. Baseiam-se em tabelas, relações e uma linguagem estructurada (SQL). Garantem consistência, transacções seguras (ACID) e são ideais para sistemas empresariais, financeiros e de gestão.

2. Base de Dados Não Relacionais (NoSQL)

Surgiram para lidar com a flexibilidade da era digital. Aqui entram o MongoDB (documentos), Redis (chave-valor), Cassandra (colunas) e Neo4j (grafos). São óptimos para grandes volumes de dados, escalabilidade horizontal e estruturas que mudam frequentemente. Enquanto o SQL exige que definas a estrutura antes de armazenar os dados, o NoSQL permite adaptar-se ao dado, não o contrário.

3. Base de Dados em Memória

Temos como exemplos o Redis e o Memcached. São usados onde a velocidade extrema é vital, mantendo os dados directamente na memória RAM. As aplicações em tempo real precisam deste tipo de base de dados, tal como é o trading, jogos online, monitorização entre outros.

4. Base de Dados em Grafo

Foram desenvolvidos para modelar relações complexas. Em vez de tabelas, usam nòs e arestas, representando ligações entre entidades, são ideais para redes sociais, motores de recomendação e sistemas de fraude.

5. Base de Dados Distribuídos e em Nuvem

Bem, esses são o futuro (e o presente também) da infraestrutura moderna. Aqui, os dados não estão num único servidor, mas espalhados por vários, às vezes em diferentes regiões do mundo. Isso garante resiliência, disponibilidade global e escalabilidade automática. Serviços como Amazon RDS, Google SQL, Azure Cosmos DB e Snowflake exemplificam esta nova era.

Como Isto se Relaciona com a Cloud?

Hoje, as bases de dados estão profundamente integradas ao ecossistema da cloud. Já não é necessário manter servidores físicos, configurar RAID (Redundant Array of Independent Disks) ou backups manuais. As Cloud Databases oferecem gestão automatizada, alta disponibilidade e elasticidade, e melhor ainda com a possibilidade de começar pequeno e crescer sem interrrupções.

Mas aqui volta a velha questão: nem tudo o que está na nuvem é igual. Tal como vimos no armazenamento em nuvem, o "tipo" de base de dados por escolher dependerá da sua necessidade real. Por exemplo uma aplicação de redes sociais, com milhões de conexões dinâmicas, teria como melhor aplicação o uso de um banco de dados em grafo. Enquanto que um serviço de streaming pode usar NoSQL para aguentar o volume e a flexibilidade.



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