Entenda Armazenamento em Nuvem: Cloud Storage

O que exactamente é armazenamento em nuvem? geralmente ouvimos falar desse conceito de forma muito genérica, e cada provedor de nuvem (CSP) tende a explicar o conceito à sua maneira, enfatizando os seus próprios serviços. 
E qual é o resultado? Muitas vezes ficamos presos à visão do provedor, sem compreender a essência do que é Cloud Storage, e acabamos dependentes dele.

Para esclarecer, vamos cavar um pouco mais fundo e entender a essência do armazenamento em nuvem. Em linhas gerais, existem dois tipos principais de armazenamento em nuvem:

1. Armazenamento Pessoal em Nuvem (Consumer Cloud Storage)

Este é o tipo mais conhecido pelo público em geral, usado em serviços como Google Drive, iCloud, OneDrive ou Dropbox. O objectivo principal é simples, permitir que os utilizadores armazenem ficheiros, fotos, vídeos, documentos e backups num espaço remoto, acessível a partir de qualquer dispositivo conectado à internet.

  • Vantagem principal: comodidade e mobilidade.
  • Exemplo prático: tirar uma foto no smartphone e vê-la imediatamente disponível online ou em outro celular, sem necessidade de transferências manuais.
  • Risco: muitas vezes os utilizadores não conhecem em detalhe as políticas de privacidade ou a forma como o provedor gere os seus dados.

2. Armazenamento Empresarial em Nuvem (Enterprise Cloud Storage)

Diferente do consumidor final, aqui a questão central é escala, desempenho e segurança. Empresas não usam a nuvem apenas para guardar documentos, mas para suportar aplicações críticas, bases de dados, backups de grandes volumes e até sistemas inteiros de análise de dados.

Dentro do armazenamento empresarial, o cenário começa a ficar mais complexo, pois existem várias ramificações que dependem directamente das necessidades do utilizador. Para simplificar, podemos dividi-lo em dois grandes tipos: o armazenamento efémero e o armazenamento persistente.

Armazenamento Efémero (Ephemeral Storage)

O que é armazenamento efémero? Pela própria palavra percebemos que efémero significa "passageiro", algo que não permanece. Assim, este tipo de armazenamento só existe enquanto a máquina virtual (VM) está em execução. Se a VM for desligada, removida ou falhar, todos os dados desaparecem.

A questão é: se perde tudo, qual a sua utilidade?

A resposta é simples. O armazenamento efémero é óptimo como disco temporário ou local, por exemplo, para guardar ficheiros de log ou dados de cache. A grande vantagem é que, por estar geralmente ligado fisicamente ao host onde a VM é executada, oferece alto desempenho a baixo custo.

A limitação também é clara: quando a VM desaparece, o armazenamento desaparece junto. Portanto, não serve para dados que precisem de ser preservados.

Armazenamento Persistente (Persistent Storage)

Para situações em que os dados precisam de continuar a existir mesmo após a destruição ou desligamento da VM, usamos o armazenamento persistente.

Este pode assumir diferentes formatos e pontos de montagem, mas os três tipos mais comuns são: Bloco (block), Ficheiro (file) e Objecto (object).

  • Bloco (Block Storage) - Funciona como um disco rígido virtual. Liga-se ao servidor virtual através do hipervisor e pode ser montado ou desmontado conforme necessário. É indicado para bases de dados e aplicações que exigem baixa latência.
  • Ficheiro (File Storage) - Baseia-se em partilhas de pastas e é montado directamente no servidor virtual. A vantagem é a alta disponibilidade entre diferentes máquinas. Por exemplo, pode ter uma partilha ligada a uma VM primária e, em caso de falha, transferi-la para uma secundária, garantindo failover com integridade dos dados.
  • Objecto (Object Storage) - Aqui os dados são guardados em buckets (baldes). É a opção ideal para fotos, vídeos, backups e conteúdos estáticos. Não oferece alta performance, por isso não serve para bases de dados. Mas é altamente escalável e económico, sendo perfeito para grandes volumes de informação não estruturada.

Cobrança e Custos

No mundo da nuvem, o armazenamento é cobrado principalmente de duas formas:
  • Capacidade usada: paga-se por gigabyte armazenado, seja em bloco, ficheiro ou objecto.
  • Desempenho requerido: quanto mais IOPS (operações de entrada/saída por segundo) ou largura de banda de leitura/escrita precisar, maior será o custo.
No caso do armazenamento em objecto, existem ainda métricas adicionais:
  • Número de operações (colocar, retirar ou eliminar dados).
  • Classe de armazenamento escolhida (Standard, Warm, Cold/Archive).
É aqui que entra uma optimização importante. Se tiver dados que precisam de ser guardados apenas por razões legais ou de auditoria, mas que provavelmente nunca serão acedidos, pode armazená-los em cold storage. O custo é muito mais baixo do que bloco, ficheiro ou objecto de acesso padrão, desde que não esteja constantemente a escrever e ler esses dados.

Então, como tudo isto se conecta com o armazenamento em nuvem que usamos no dia a dia? Quase todos os serviços de armazenamento para consumidores seja Google Drive, OneDrive ou outro , nos bastidores, usam armazenamento em objecto. Mas no back-end, os dados estão organizados em buckets, com todas as características típicas de object storage.

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